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EXCLUSIVO: Goleiro Fábio é ‘estudado’ por profissionais de ponta

Fábio goleiro Fluminense

Fábio, goleiro Fluminense, fez história no dia 19 de agosto | Foto: Reprodução/Facebook Fluminense

Seguindo sugestão do técnico Fernando Diniz, o Portal E21 entrevistou duas das maiores personalidades da área de medicina do Esporte para entender o que levou o atleta a bater o recorde de maior número de jogos

Eugenio Goussinsky

Na passagem pelo Fluminense, o técnico Fernando Diniz ficou impressionado ao trabalhar com o goleiro Fábio. Nascido em Nobres (MT), Fábio Deivson Lopes Maciel viveu até os 11 anos na cidade. Nem a distância dos principais centros tirou seu sonho de se tornar jogador. O goleiro iniciou sua carreira no União Bandeirante em 1997. Depois passou pelo Athletico (1998), Cruzeiro (1999-2000), Vasco (2000-2004), Cruzeiro (2005-2021) e Fluminense, desde 2022.

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No último dia 19, na vitória do Fluminense por 2 a 0 sobre o América de Cali, pela Sul-Americana, no Maracanã, ele se tornou o jogador de futebol que atuou no maior número de jogos na história: 1391. Ultrapassou o inglês Peter Shilton, também goleiro. Aos 44 anos, Fábio se destaca pela longevidade. No entanto, não é a duração da carreira o que mais impressiona (abaixo, link de The Long and Winding Road – The Beatles).

O que é mais marcante a esta altura de sua trajetória é o nível de performance: Fábio mantém elasticidade e reflexo tão apurados, superiores até aos de goleiros de alto nível e mais jovens, que levou Diniz a declarar, perplexo: “O Fábio deveria ser estudado”, disse, em referência àquilo que considera um fenômeno.

O atual técnico do Fluminense, Renato Gaúcho, concorda com Diniz. Para Renato. é um “presente” trabalhar com ele: “Ninguém alcança tantos jogos sem um nível de profissionalismo assim.”

O Portal E21 foi atrás de dois dos maiores especialistas na área de saúde do futebol brasileiro para, seguindo a sugestão de Diniz, entender o que levou Fábio a manter o nível mesmo depois dos 40 anos.

Um dos mais conhecidos médicos do futebol brasileiro, José Luiz Runco, concorda que Fábio seja mesmo uma referência. Ao Portal E21, ele ressaltou que manter esse nível de performance por décadas não depende apenas de um fator.

“A longevidade de um atleta de alto nível, como o goleiro Fábio, provavelmente se deve a uma combinação de um dom natural e sua dedicação pessoal”, ressaltou o médico, que já trabalhou na seleção brasileira. “Ele é alguém que tem uma capacidade inata para estar em sua melhor forma, somada a uma preocupação constante com seus cuidados, tanto em sua atividade profissional quanto em sua vida privada.”

Genética de Fábio

Outra grande referência na preparação dos atletas é o fisiologista Turíbio Leite de Barros. Mestre e Doutor em Fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina, onde foi professor por 35 anos e coordenador do curso de Medicina Esportiva. Turíbio, que atuou como fisiologista do São Paulo por 25 anos, também faz uma lista de fatores que foram determinantes na trajetória de Fábio (abaixo link de Eternamente – Gonzaguinha).

“Acima de tudo, a gente sempre costuma dizer que a genética é soberana, então ele certamente tem uma herança genética muito favorável para essa longevidade”, observa o fisiologista. “Outro fator é a sua posição, que com toda certeza possibilita uma longevidade esportiva maior, já que é a de goleiro. Não se pode também nunca descartar a ausência de alguma lesão mais séria durante a carreira. Ele certamente não teve nenhuma lesão muito séria, o que não limitou sua carreira do ponto de vista ortopédico ou traumatológico por uma sequela.”

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Turíbio ressalta ainda que o fato de Fábio sempre ter trabalhado com profissionais de alto nível e ter um treinador específico contribuiu. No entanto, ele utiliza exemplos de outros grandes goleiros, como Dino Zoff e Manga, para fortalecer sua convicção de que o fator genético é preponderante.

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“O exemplo de outros atletas de outras épocas, como Zoff e Manga, que também chegaram a jogar em alto nível com mais de 40 anos, me faz ter certeza de que a genética foi o fator preponderante”, observa Turíbio. “Principalmente o Manga, que teve uma carreira em um passado bem mais distante, certamente não tinha ainda nenhum requisito proporcionado pela evolução da ciência e da tecnologia. Acredito que, nesses casos, a herança genética foi o principal fator, sendo eles dois exemplos típicos de atletas privilegiados por essa herança.”

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