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O motivo de o Knesset, Parlamento, de Israel ter 120 cadeiras
O Parlamento israelense, chamado Knesset, tem 120 deputados porque seus fundadores decidiram tomar como referência uma antiga instituição da história judaica: a Grande Assembleia, conhecida em hebraico como Knesset HaGedolah. Foi fundado em 16 de fevereiro de 1949, quando a Assembleia Constituinte de Israel (eleita em janeiro daquele ano) ratificou a Lei de Transição e se reconstituiu oficialmente como o primeiro parlamento do país, sucedendo à legislatura provisória conhecida como Conselho do Povo.
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Segundo a cronologia tradicional judaica, a Grande Assembleia (Knesset HaGedolah) existiu durante o período do Segundo Templo de Jerusalém. O Segundo Templo foi concluído por volta de 516/515 a.C., durante o domínio persa, no reinado de Dario I, depois de os judeus terem ficados exilados na Babilônia. A Grande Assembleia, por sua vez, é tradicionalmente associada a Esdras (que viveu aproximadamente entre 480 e 400 a.C) e Neemias, sobretudo no século 5 a.C., algumas décadas depois da reconstrução do Templo. Não há um consenso a respeito de quanto tempo ela durou, mas existiu de forma simultânea ao Segundo Templo, que foi destruído no ano 70 da era moderna.
“Este tema também é muito conhecido pelo nome de Anshei Knesset HaGedolah”, diz ao Portal E21 o rabino Yossi Khafif, do Beit Chabad Vila Mariana. “Isso começou com Ezra (Esdras), ele foi um dos primeiros que voltaram de Babel, da Babilônia, depois da destruição do Primeiro Templo, quando o povo ficou em exílio por 70 anos na Babilônia. Ele voltou nos primeiros anos. Na verdade, tiveram grupos que já tinham começado a voltar antes e começaram a construir o Segundo Templo. Logo nos primeiros anos que ficou pronto o Segundo Templo, Ezra trouxe uma boa parte do povo também.”
Ezra, prossegue o rabino Yossi, organizou a Grande Assembleia para ser a referência espiritual no Segundo Templo. Yossi afirma que Ezra, um sacerdote, escriba e líder religioso, se preocupava com o alto grau de assimilação da comunidade naquela época, mesmo em Jerusalém, sob o domínio babilônio. Criou então esse grupo de sábios para reorganizar a vida religiosa judaica depois do exílio na Babilônia.
“Ele ficou muito triste, muito mexido com a situação”, acrescenta o rabino. “Então ele juntou um grupo, uns sábios que tinham lá naquela época, e eles fizeram o que é chamado de Knesset HaGedolah porque o povo estava precisando de uma diretriz, saber quais são as mitzvot (boas ações) da Torá, de que forma cumprir. Na verdade as mitzvot estão todas escritas na Torá, mas era necessário mostrar como cumpri-las.”
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A reza denominada Amidá foi um exemplo que surgiu por determinação da Grande Assembleia. “A Amidá, que a gente faz na reza, todo dia, três vezes. De noite, de manhã e de tarde, foram eles que decretaram isso”, afirma Yossi. A Torá, prossegue o rabino, já determina que rezar é uma mitzvá, mas não especifica como tem que ser a reza.
Não havia, por tal interpretação, uma clareza em relação a quais palavras deveriam ser pronunciadas, quais pedidos deveriam ser feitos ou qual deveria ser a estrutura das orações. Assim, uma pessoa poderia dirigir-se espontaneamente a Deus, usando suas próprias palavras. Por exemplo, alguém que estivesse passando por dificuldades financeiras poderia pedir sustento. Uma pessoa doente poderia pedir saúde. Outra poderia simplesmente agradecer por algo bom que tivesse acontecido.
“Então eles fixaram pedidos que são considerados básicos, essenciais”, completa Yossi. É o que a gente faz na Amidá. Eles, na verdade, fizeram 18 brachot (rezas), que são brachot gerais, ou seja, no começo há brachot louvando Hashem (Deus), falando da grandeza de Hashem, e no final também, três no começo e três no final, e as do meio, as 12, 13, são brachot de pedidos, pedidos gerais, como pedido de sustento, pedido de agradecimento. Várias dessas brachot falam sobre Mashiach, sobre voltar para Yerushalayim (Jerusalém), sobre o assunto dos juízes. Vários pedidos gerais.”
A Amidá, também chamada de Shemoneh Esrei (dezoito), é uma das orações centrais do judaísmo. Seu nome Amidá significa oração feita em pé. Originalmente, a tradição fala em 18 bênçãos (brachot). Posteriormente, passou a contar 19 nas orações habituais dos dias de semana.
“Um pouco depois foi acrescentada mais uma brachá, então, na verdade, são 19 brachot”, confirma Yossi. “Isto porque era uma época que tinham muitos delatores, muitos também precisavam de orientação de Hashem para reduzir a influência deles. Mas esse é um assunto posterior. O que importa é que os sábios da Grande Assembleia organizaram como tem que ser a reza.”
Os 120 assentos do Knesset de Israel
O número 120 foi escolhido para o Knesset moderno porque, segundo a tradição judaica, a Grande Assembleia (Knesset HaGedolah) era composta por 120 sábios. Mas não há uma prova definitiva a respeito deste número.
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O Talmude, compilação de leis, discussões, interpretações bíblicas, histórias e ensinamentos dos rabinos judeus, menciona 120 anciãos, entre eles profetas. Maimônides (1138 – 1204) também registra esse número na introdução de seu livro Mishné Torá (Segunda Torá).
“Em geral a opinião mais conhecida é que eram 120 e não necessariamente estavam na mesma época, esses 120. Existe até uma corrente que fala que eram 85 sábios.” Yossi afirma que, no entanto, o atual Parlamento israelense tem uma conotação política e se distancia de questões que são mais estudadas em escolas religiosas ou tribunais rabínicos. “Quando fizeram o Knesset, se basearam lá no Knesset Hagedolá, mas é uma outra função, não tem nada a ver diretamente com a Torá. Tem a ver com leis do país.”
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