Ciência e Tecnologia
Veja como funciona o metrô autônomo em cidades pelo mundo
Sistema sem condutor em São Paulo é o primeiro da América Latinaç ferrovias também estão em testes em vários países
Eugenio Goussinsky
A tecnologia autônoma nas ferrovias promete revolucionar o setor de transporte, seguindo o exemplo de projetos já implantados com caminhões. Trens autônomos têm potencial para operar com mais eficiência, evitando atrasos e maximizando o uso da infraestrutura ferroviária.
“A automatização pode ser aplicada tanto em trens de carga quanto de passageiros, melhorando a segurança e reduzindo os custos operacionais”, afirma, ao Portal E21, o professor Anderson Harayashiki Moreira, professor do curso de Engenharia de Controle e Automação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
Existem projetos em andamento em várias partes do mundo. Na América Latina, a linha 4 do Metrô de São Paulo foi pioneira, sendo a primeira linha férrea totalmente autônoma, implementada em 2010. Começou com 12,8 km de extensão.
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O projeto foi iniciado em 2001 e contou com investimentos substanciais do governo de São Paulo e de parcerias com empresas de engenharia. O custo total foi de cerca de R$ 5,6 bilhões, cerca de R$ 430 milhões por quilômetro.
A empresa francesa Alstom foi responsável pelo fornecimento dos trens e pelo sistema de controle e automação em São Paulo. O consórcio também incluía outras empresas de engenharia e construção, como a Queiroz Galvão, Odebrecht e Mota-Engil, que contribuíram para a construção da linha e das estações.
A escolha da Alstom de produzir trens autônomos na Linha 4-Amarela em São Paulo, em vez de na França, pode ser explicada por vários fatores estratégicos e econômicos.
O principal deles é a carência, na capital paulista, a maior da América Latina, de transportes coletivos eficientes, muito mais do que a de cidades europeias, como Paris, que têm ampla rede de metrô.
Outro fator foi a parceria entre o poder público e a iniciativa privada. O governo do Estado de São Paulo e a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) ofereceram apoio e incentivos para a implementação do projeto, facilitando o investimento da Alstom e do consórcio na região.
Nova linha em São Paulo
A linha 6-Laranja dará continuidade a esse modelo de metrô autônomo na capital paulista. A obra foi iniciada em 2015 e paralisada durante a Operação Lava-Jato, que investigou empresas integrantes do consórcio anterior, o Move São Paulo.
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Em 2021, a concessionária espanhola Acciona retomou a construção do trecho, com prazo inicial de conclusão para 2025.
O governo paulista e a Acciona informam que a operação parcial deve iniciar em 2026, com a conclusão das obras sendo em 2027. Há a possibilidade de a entrega ocorrer em 2028, segundo constatou o jornal O Globo.
O valor da obra será de cerca de R$10 bilhões para 16 km, o que equivale a cerca de US$ 625 milhões (aproximadamente US$ 39 milhões por quilômetro).
“A implantação de trens autônomos já é realidade em alguns países, a implementação de trens autônomos é mais fácil, devido ao ambiente controlado das ferrovias”, acrescenta o professor Harayashiki Moreira.
“Cada vez mais será possível ver linhas férreas totalmente autônomas, principalmente devido ao fato de que linhas novas ou modernizadas já consideram a automação em seu planejamento.”
As cidades de Copenhague, Dubai e Montreal são outras que têm operações comerciais de metrô autônomo ou com níveis significativos de automação. Todos são projetos realizados pela Alstom.
O metrô de Copenhague (Cityringen) é totalmente automático e opera sem maquinistas. O projeto inclui linhas que foram inauguradas em diferentes fases desde 2002.
O Cityringen custou aproximadamente 25 bilhões de coroas dinamarquesas, equivalente a US$ 3,7 bilhões (R$ 20 bilhões), para 15,5 km, cerca de US$ 238 milhões (R$ 1,3 bilhão) por quilômetro.
Para o metrô de Dubai, incluindo a Linha Vermelha, o custo foi de cerca de US$ 7,6 bilhões (cerca de R$ 41,25 atuais) para 75 km, o que dá aproximadamente US$ 100 milhões (R$ 542,7 milhões) por quilômetro. O metrô em Dubai também é totalmente autônomo.
Em Montreal, a Rede Expressa Metropolitana (REM) não é totalmente autônoma, possui sistemas automatizados que permitem operações sem maquinista em certas linhas
Com 67 km, a REM custou US$ 6,3 bilhões (R$ 34,1 bilhões), cerca de US$ 94 milhões (cerca de R$ 510 milhões) por quilômetro.
Testes com trens em linhas ferroviárias
Já no Japão, Alemanha e Suécia, estão sendo testados trens autônomos, que visam a aperfeiçoar a tecnologia antes da implementação comercial.
Na Alemanha, a Deutsche Bahn realizou testes com trens autônomos na linha entre Hamburgo e outras cidades.
Esses trens utilizam sistemas avançados de sensores e inteligência artificial, permitindo a operação sem intervenção humana. Desde 2018, a Alemanha planeja ampliar esses testes.
O Japão, reconhecido por sua tecnologia ferroviária avançada, tem investido em trens autônomos, incorporando essa inovação em novas linhas de alta velocidade, como o famoso Shinkansen.
Embora o primeiro trem totalmente autônomo do Japão, o Maglev, tenha realizado testes em 2015, sua implementação em serviços comerciais regulares ainda está em desenvolvimento.
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A Suécia também participa dessa revolução, focando no transporte de carga. Desde 2017, o país desenvolve trens autônomos utilizando tecnologias que asseguram segurança e eficiência nas operações. O objetivo é expandir essa automação para o transporte de passageiros nas áreas urbanas.
“A automação ferroviária pode melhorar a segurança, pois os trens seguem rotas fixas e controladas, minimizando o risco de acidentes”, ressalta o professor da Mauá. “A integração de sistemas autônomos nas ferrovias também pode melhorar a coordenação com outros modos de transporte, otimizando a logística intermodal e reduzindo os custos gerais do transporte de mercadorias.”
Diferenças entre trem e metrô
Há, no entanto, diferenças a serem levadas em conta nos projetos para trens e metrôs autônomos.
Os trens operam em linhas ferroviárias, podendo transportar passageiros ou carga. Os trens podem percorrer longas distâncias, conectando cidades e regiões diferentes.
Já o metrô é um sistema de transporte urbano que opera principalmente em áreas metropolitanas, destinado a facilitar o deslocamento de passageiros em curtas distâncias. É projetado para atender a alta demanda de transporte público em cidades.
“Os benefícios tanto do metrô quanto do trem autônomo, quando comparados aos dos carros e caminhões autônomos, são os mesmos quando comparamos o transporte ferroviário ao transporte terrestre convencionais”, observa Harayashiki Moreira.
“Os trens e metrôs autônomos podem transportar grandes volumes de carga e de passageiros com maior eficiência energética, reduzindo a pegada de carbono e os congestionamentos.”
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