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Ciência e Tecnologia

Elbit vira a empresa mais valiosa de Israel na guerra com o Irã

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Israel Elbit defesa guerra Irã

Professor explica ao Portal E21 como a fabricante de drones, sensores e sistemas digitais de defesa chegou a US$ 33 bilhões em valor de mercado durante o conflito

Eugenio Goussinsky

A guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, impulsionou a Elbit Systems, empresa privada de defesa, ao posto de companhia israelense de maior valor de mercado, chegando a US$ 33 bilhões. Já no dia 4 de março, as ações da Elbit saltaram cerca de 4,5% na bolsa.

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“O salto das ações da Elbit em meio à guerra significa, antes de tudo, que o mercado está precificando três coisas ao mesmo tempo: demanda pública doméstica mais alta, expansão de contratos externos e valorização estratégica de empresas que já chegam ao conflito com portfólio ‘pronto para uso’ em guerra real”, afirma, ao Portal E21, João Alfredo Lopes Nyegray, professor dos cursos de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). (Abaixo link de Shir LaShalom, com Miri Aloni e banda).

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Isto quer dizer que alguns recursos são obtidos de forma emergencial e pagos pelo governo. No entanto, esta parceria é feita também de contratos plurianuais e programas financiados pelo Ministério da Defesa.

Investidores costumam reagir rapidamente a conflitos envolvendo grandes indústrias de defesa. Com a perspectiva de aumento de contratos militares, as ações de empresas do setor tendem a subir.

Das maiores empresas de defesa israelenses, estrategicamente sediadas em regiões diferentes, a Elbit é a única de capital privado. As outras duas são a Rafael Advanced Defense Systems e Israel Aerospace Industries. Todas atuam em parcerias com startups e universidades locais. A guerra, com isso, serve inclusive para testar as tecnologias na prática e criar novos mercados para essas empresas, na visão de seus dirigentes.

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Entre os produtos fornecidos estão drones militares, sensores e optrônica, sistemas de guerra eletrônica, munições guiadas e sistemas digitais para soldados. Nesta guerra contra o Irã, por exemplo, esses sistemas digitais passaram a ganhar ainda mais relevância. Nyegray observa:

“A Elbit não é apenas uma fabricante de armamentos; ela opera em munições guiadas, drones, guerra eletrônica, C4ISR (comando e controle) e sistemas integrados, isto é, justamente os segmentos que se tornam mais valiosos quando o conflito deixa de ser episódico e passa a exigir reposição, escala e atualização operacional.”

Defesa de Israel

A Elbit, mesmo privada, se transformou na prática em um braço do governo e, com seus recursos, passou a atuar também como um suporte dentro do orçamento do país. Exemplo disso foi a compra da antiga Israel Military Industries, histórica fabricante de armas do país, em 2018. (Abaixo, link de Masters of War, com Bob Dylan)

A Israel Military era uma empresa estatal que passava por dificuldades financeiras por muitos anos. O governo decidiu privatizá-la e a vendeu para Elbit, por cerca de US$ 495 milhões. A empresa integrou as operações à estrutura da companhia privada, criando a divisão Elbit Systems Land.

Em uma guerra intensa, que começa a se prolongar, Nyegray destaca que, do ponto de vista econômico, a Elbit funciona como um espécie de “ativo de soberania tecnológica”.

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“Ela passa a ser vista não só como empresa lucrativa, mas como peça do poder nacional israelense e da sua inserção exportadora em segurança e defesa.” O significado político, segundo ele, é ainda maior. “A bolsa está dizendo que, para muitos investidores, a guerra não é apenas custo para Israel; ela também consolida uma vantagem industrial e tecnológica que pode durar anos.”

Neste cenário, a situação se torna paradoxal. A guerra não é boa para o país. Os dirigentes da Elbit, pelo que dizem, não a querem. Mas a empresa não viveria sem a guerra. Nyegray completa: “A grande vantagem de uma empresa tecnológica de defesa em tempos de guerra é que ela converte conflito em validação comercial.”

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